quarta-feira, agosto 30, 2006

Ajuda em Momento Muito Difícil

O texto abaixo é de autoria de Nilson Bispo. Natalense que foi ganhar a vida e estudar no Rio de Janeiro. Ele é Engenheiro Químico e atualmente faz Doutorado na mesma área. Ocupa uma posição que pouquíssimos brasileiros conseguem chegar. Pelos contatos que tenho com ele via MSN, percebo que é uma figura muito inteligente, amigo e verdadeiro. Enfrenta a gagueira com bastante bravura e vem progredindo em diversos aspectos. Em seu texto podemos perceber estas evoluções. Abraços, Nilson! Obrigado pelo texto.

Bem, para mim, o Grupo Gagueira apareceu em um momento de grande dificuldade. Tinha apresentado meu 1º seminário de mestrado e gaguejei muito na apresentação. Saí da sala arrasado, pensando em até desistir da pós devido a condição de não me expressar bem. Comentei com o grupo e o pessoal foi muito atencioso comigo. Recebi conselhos e ajuda, coisas que nunca tinha tido (nem da família, nem de amigos) até aquele instante como gago. Esses conselhos me ajudaram a buscar melhoras e a me aceitar como eu era. Desse modo, tinha amigos onde podia passar minhas experiências nas apresentações e situações do dia-a-dia. A cada melhora narrada recebia palavras de estímulo e de parabenização e via que minhas pequenas vitórias eram também incentivo para outras pessoas do grupo.

Gostaria de agradecer aos amigos do grupo pela força de encarar a vida de frente, não fugindo das situações e nem abaixando a cabeça diante dos problemas que surgem na nossa frente!

Valeu e obrigado a todos!

Nilson Bispo
Rio de Janeiro

sexta-feira, julho 14, 2006

Com Amor e Atenção dos Pais

Nosso associado Fabrício Neves tem uma experiência incrível com a gagueira. Ele não gagueja mais! Recentemente, no Grupo Gagueira, ele deu um pequeno depoimento sobre o seu processo de amadurecimento como ser humano e conseqüente libertação da gagueira. Esperamos que futuramente ele possa nos explicar melhor, dar mais detalhes sobre essa sua experiência. Creio que muita gente esteja interessada.

"Vejo que a presença da família foi muito importante em meu estado de gagueira. Tive sempre pais amáveis e atenciosos, mas, o que é típico de uma família conservadora, muito repressores. Quando saí de casa, aos 17 anos, ainda me sentia tão preso a eles e necessitado da presença de minha mãe que retornei à casa, sem terminar o curso. Durante grande parte de meu desenvolvimento psíquico estive sob a tutela de minha mãe, desde escolha de roupas até ligações para dentistas, acho que falei pouco com balconistas e médicos. Escolhi então fazer um curso próximo de minha casa, de modo que vivia uma situação meio transitória, entre a cidade de meus estudos e minha cidade natal. Sinto como se isto fosse um período em que estava me livrando da supracitada tutela. Bem, hoje eu estou muito longe de minha família. Quando cheguei, passei a prestar atenção à minha fala e em mim. Ganhei muita confiança. Uma angústia que sentia desde não sei quando, avaliava ser uma angústia da vida claustrofóbica que vivia, parou. Não gaguejo mais. Acho que muitos não vão acreditar, porque meu caso pode ser uma espécie de "indutivismo fraco", um caso que não corresponde à maioria, como os cisnes negros de K. Popper. Também não paro de pensar que os condicionantes são de outra ordem, mas tipicamente sociais, pelo menos no meu caso. Temo o discurso "biologizante" que vez ou outra aparece em nossa lista de discussão. Ao contrário do que disse antes, ele pode carecer de um "dedutivismo forte", ou seja, generalizar sem atentar para as especificidades do caso de cada um, como o caso dos cisnes brancos do citado autor. Espero ter contribuído com a discussão. Abraço a todos." Fabrício Neves

terça-feira, junho 20, 2006

Mudança de Atitude

A amiga Maria Theresa, ou somente Maitê, compartilha conosco alguns segredos, os quais ela sentiu alguma dificuldade para nos contar. Foi difícil para ela, pois nunca havia parado para pensar nos efeitos positivos que o Grupo Gagueira lhe proporcionara. E foram muitos. Tenho certeza que foram mais do que os relatados. O principal deles talvez tenha sido a participação dela na "Semana Internacional de Atenção à Gagueira", do ano passado. Uma modificação que só foi possível graças à troca de experiências dentro da lista de discussão. Ela termina agradecendo, mas somos nós que devemos agradecer os momentos que ela compartilha em nosso Grupo.

"Até 2004, nunca havia pesquisado na internet nada sobre gagueira. Foi então que me deparei com grupo de discussão gagueira. Com 1 ano e 8 meses de casa, mudei minha visão em relação a gagueira. Cenas de suicídios foram banidas dos meus pensamentos, porque não a culpo mais pelos meus fracassos. Passei a pesquisar mais sobre o assunto. Passei a ter esperanças de uma possível cura. Falar sobre gagueira, não me faz mais chorar. Não me sinto mais um patinho feio por falar não falar igual a todo mundo. Saí da minha concha e estou aproveitando as oportunidades que a vida tem me oferecido. Expor-me numa campanha, coisa que eu jamais tinha feito, e além do mais a respeito da gagueira!? Foi muito difícil para mim, mas mudei de atitude. Dei o meu relato na "Semana Internacional de Atenção à Gagueira", tremendo, suando frio, travando, mas eu fui. Não achava que era capaz. Surpreendi-me comigo! Assistia às matérias sobre gagueira na TV, me enchia de alegria, de dever cumprido. Conheci pessoas iguais a mim. Conversei com várias pelo MSN, através do áudio. Apesar do mesmo "problema", percebi que nenhuma gagueira era igual a outra. Cada pessoa tinha a sua particularidade. Pra mim, a gagueira parecia ser coisa de outro mundo, porque eu não conhecia ninguém que fosse assim, como eu. A cada dia estou melhorando. Só tenho a agradecer ao grupo. Meu muito obrigado a vocês!" Maria Theresa

domingo, junho 18, 2006

Mais Corajoso

Recentemente o colega Marco passou a participar do Grupo Gagueira. Em seu primeiro depoimento, achei interessante algumas coisas. Como por exemplo a importância de grupos de discussão sobre a disfemia, pois proporciona a muitos motivação de melhorar, coragem para enfrentar o dia-a-dia, o interesse para compreender melhor o assunto e o desejo de trocar experiências. Outro ponto é o absurdo dele ter passado por um tratamento que utilizava "pedrinhas na boca". É incrível como fonoaudiólogos despreparados para tratar gagueira estão atuando livrmente por aí. Pedrinhas na boca era o que fazia Demóstenes, orador da grécia antiga.

Vejam o que Marco escreveu para nós:

"Fiquei feliz com a acolhida pelo grupo...
Depois de anos sem falar sobre o assunto, achar esses grupos de discussão tão bem organizados e tão empenhados, me encorajaram.
Já passei por inúmeras fonoaudiólogas, com tratamentos diversos; comecei com exercícios bucais - silabação e até falar com pedrinhas na boca - tendo os últimos, trabalhado com suavização de fala e relaxamento. Quanto aos métodos, posso citar o de um terapeuta italiano chamado Piero D´erasmo, que agregava um modo de cantilena à fala e também o do famigerado Simon Wajntraub. Usei também um aparelho chamado Delay Audictory Feedback (mini - DAF), que atrasava a audição de sua própria fala, para a mesma sair compassada.
No meu caso, não tive resposta a esses tratamentos, o que considero de forma individual, já que vi inúmeras pessoas terem resultados bastante positivos com diversos deles.
Posso relatar mais detalhes, mas queria saber de alguma experiência de vocês e saber mais sobre as novas descobertas sobre o assunto." Marco Sarno.

sábado, junho 10, 2006

Gagueira Não Tem Graça

Para inaugurar o propósito do blog, recebi o primeiro texto de um membro do Grupo Gagueira. É a amiga Patrícia Araújo, que pouco participa das discussões na nossa lista, porém ela é freqüentadora assídua do Grupo de Auto-Ajuda de Natal. Ela manda a seguinte mensagem:

"Faço parte do Grupo Gagueira já faz um tempo. Ele me ajuda muito em informações sobre o problema! Minha posição aqui é defender que a GAGUEIRA NÃO TEM GRAÇA e que UNIDOS PELA FALA possamos minimizar a situação psico-social em que nós, os disfluentes, vivemos no mundo todo!" Patrícia Araújo.

Vamos lá pessoal, estou aguardando as contribuições de todos vocês, membros do GG.

sexta-feira, junho 09, 2006

O Grupo Gagueira

O Grupo Gagueira é uma lista de discussão pela internet, hospedada no Yahoo Grupos! Criado em 11 de outubro de 2001, por Hildemir Monteiro, o grupo foi o pioneiro no debate pela internet sobre a disfemia (gagueira). Conta atualmente com 383 associados, 28 arquivos, 08 links que estão vinculados à páginas da internet que versam e pesquisam sobre a disfemia. Além de possuir, em seu banco de dados, uma relação de MSN-messenger dos membros, com a qual você poderá fazer boas e novas amizades; sem falar em recursos de bate-papo na própria página, possibilidade de publicação de fotos e realização de enquetes. Mensalmente, veiculamos um pequeno manual onde todos os recursos do nosso grupo estão bem explicados. Tudo isso para os associados pesquisarem e conhecerem mais sobre esta peculiaridade que nos uniu, bem como poderem se familiarizar com as ferramentas disponíveis. Estamos sempre na busca de nosso aprimoramento e melhoramento. À medida que encontrarmos novos materiais, disponiblizaremos imediatamente para o conhecimento de todos no grupo.

Faça parte deste grupo você também! Não é necessário ser uma pessoa que gagueja. Seja você um profissional da área de saúde que pretende conhecer sobre este distúrbio da fluência, seja você amigo/parente de alguém que gagueja, ou simplesmente um conhecedor, um curioso clique aqui e entre nesse grupo!

Este blog conterá textos de membros do grupo, sempre com a autorização do seu criador. As opiniões aqui publicadas podem não refletir necessariamente o ponto de vista do autor do blog. A discussão é mais importante.

Parabéns a todos que fazem parte do Grupo Gagueira, um simples grupo que torna-se para muitos uma mudança por completo em suas vidas. Muito mais do que exercícios, técnicas ou a "salvação para sua fala", o Grupo Gagueira é uma grande oportunidade para o auto-conhecimento.


Para começar, gostaria que os membros deste grupo escrevessem um pequeno (ou grande) texto sobre a importância do Grupo Gagueira em suas vidas.